Em um incêndio, o maior risco muitas vezes não é o fogo em si — é a fumaça. Cabos elétricos e de rede comuns, isolados em PVC, liberam fumaça densa e gases ácidos halogênicos quando queimam, o que reduz a visibilidade para evacuação e corrói equipamentos eletrônicos mesmo a metros de distância do foco do incêndio. É esse problema que o cabeamento LSZH resolve.
O que significa LSZH
LSZH é a sigla para Low Smoke Zero Halogen — baixa emissão de fumaça e zero halogênio. Na prática, é um composto de isolação e cobertura de cabo formulado para, em caso de incêndio:
- Emitir uma quantidade muito menor de fumaça do que o PVC convencional, preservando a visibilidade das rotas de fuga;
- Não liberar gases halogênicos (cloro, bromo, flúor) — que na queima do PVC se transformam em ácidos tóxicos e corrosivos, agressivos às vias respiratórias e a qualquer equipamento metálico ou eletrônico próximo;
- Reduzir a propagação de chama ao longo do próprio cabo, limitando o alastramento do fogo pelas canaletas, eletrodutos e bandejas.
Onde o LSZH é recomendado — ou exigido
A própria lógica de projeto de cabeamento estruturado (base da ABNT NBR 14565) e as normas de instalações elétricas orientam o uso de cabos livres de halogênio nos cenários onde uma emergência tem mais gente para evacuar e mais equipamento crítico para proteger:
- Ambientes de grande afluência de público — shoppings, aeroportos, hospitais, escolas, estádios, teatros;
- Rotas de fuga e escadas de emergência;
- Plenos de ar-condicionado e dutos com fluxo de ar forçado, onde fumaça e gases se espalham mais rápido pelo edifício inteiro;
- Data centers e salas de TI/telecom — não apenas pela segurança das pessoas, mas porque gases halogênicos corroem contatos, placas e racks metálicos mesmo em princípios de incêndio controlados.
A atualização da norma brasileira: LSZH-1 e LSZH-3
A ABNT NBR 14705:2025, que substitui a edição de 2010, deixou de tratar "LSZH" como uma categoria única e passou a separar dois níveis de proteção — evitando que cabos com desempenho bem diferentes sejam vendidos sob o mesmo nome genérico:
LSZH-3 — nível superior de proteção
Indicado para caminhos e espaços horizontais e verticais (com ou sem fluxo de ar forçado) e para locais de grande afluência de público. Precisa atender aos testes mais rigorosos de propagação de chama (série IEC 60332-3 ou UL 1685), densidade de fumaça (IEC 61034-1/2 ou ABNT NBR 11300) e toxicidade dos gases (ABNT NBR 12139, índice de toxicidade ≤ 5).
LSZH-1 — nível padrão
Aplicável a instalações mais específicas: dentro de eletrodutos metálicos, trechos de exposição limitada (menos de 3 m), cabos com dimensão transversal inferior a 6,4 mm, ou ambientes de alta circulação de ar. O teste de propagação de chama é menos exigente (ABNT NBR NM-IEC 60332-1 ou UL 1581:2023), mas as exigências de fumaça e toxicidade permanecem as mesmas do LSZH-3.
Na prática, o "LSZH" genérico que o mercado usava até 2010 corresponde, hoje, ao nível LSZH-3 — a nomenclatura nova existe justamente para deixar explícito qual dos dois níveis está sendo especificado em projeto, evitando ambiguidade entre fornecedores.
O que isso significa para o seu projeto
Especificar cabeamento LSZH corretamente não é só escolher "um cabo mais caro" — é escolher o nível certo (LSZH-1 ou LSZH-3) para cada trecho da instalação, de acordo com a ocupação e a rota de fumaça do ambiente. Um projeto de cabeamento estruturado bem feito define isso planta por planta, não pelo cabo inteiro do edifício.
